Arte e Meio Ambiente
- Tassia Botti

- 12 de abr. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 25 de out. de 2024
E nesse cenário catastrófico de pandemia no Brasil, encontramos alguns momentos de lucidez para refletir sobre o meio e o Ser.

O surto do coronavírus traz grande sofrimento a todos os setores da sociedade, iniciando com a perspectiva social através do isolamento das pessoas e da ausência de inter-relações humanas que podem afetar profundamente tanto a saúde física, quanto mental individual, causando sequelas consideráveis nas intimidades e afeições.
Acredito que todos já estejam passando por momentos mais aflorados no relacionamento, se mora com alguém. Os pensamentos e sentimentos ficam tão a flor da pele que é difícil se segurar, eu sei. A angústia e o desejo de que tudo isso passe logo faz com que enfrentemos grandes picos de ansiedade, e consequentemente, passemos por intensas experiências com o(a) coleguinha, as vezes desagradáveis. Mas respire fundo e dê um tempo para você e para o outro. O espaço é importante para acalmarmos a alma e o coração e resgatar a nossa essência. Temos que reconhecer que todos somos diferentes e isso não deve ser considerado ruim, pois aprendemos com a diversidade.
E pensando nesse afastamento da rotina massacrante, não dá para não pensar em como as contas fecharão. Quem depende do seu próprio trabalho sabe do que eu estou falando. Cada segundo sem a produção, é um pão a menos na mesa. A mesma pessoa que precisa ficar em isolamento, encontraria-se em uma sinuca de bico: Ou matar ou morrer! ou seja, Morrer trabalhando ou Morrer de fome sem emprego. Que escolha cruel essa, não é mesmo? Na verdade, não vejo como escolha se os caminhos dão no mesmo prejuízo. Vivemos em um sistema econômico em que somos escravos do nosso próprio trabalho, pois sem ele não somos ninguém, não teremos uma personalidade social e não possuiremos o “status social” (Marx Weber) para se enquadrar à sociedade, e refletindo, em termos gerais, quem realmente pode se ausentar e trabalhar em home Office garante esse status. Já os que não tem essa condição/vantagem, disputa um espaço no mercado das atividades essenciais, correndo risco de adoecer.
E nessa complexa situação, o planeta ressurge das cinzas, uma vez que a grande produção poluente global paralisa, e por consequência, o sistema também diminui seus fluxos com transportes e entregas. Eu digo infelizmente em um cenário de desastres, mas consigo perceber que a recuperação da natureza é uma questão de princípios e prioridade, e só depende de uma mudança radical de como construimos o nosso sistema de produção mundial. Através de várias reportagens pelo mundo, vemos que devido à estagnação de grandes indústrias e a diminuição de deslocamentos entre casa e trabalho por veículos automotores, a concentração de gases poluentes vem tendo quedas consideráveis a ponto de sentirmos a sensação da temperatura mais agradável, além de um ar mais leve em alguns lugares pelo mundo. Na China, por exemplo, a paralisação da atividade econômica provocou forte redução de emissões de CO², constatada por imagens de satélite, onde “A redução do consumo de carvão e petróleo mostra uma queda de, pelo menos, 25% das emissões na comparação com o mesmo período no ano passado, o equivalente a uma diminuição de 6% das emissões mundiais durante o período" (conforme o Centro de Pesquisas sobre Energia e Ar Limpo - CREA).
De tudo que estamos presenciando nesses últimos dias, e considerando os vários pontos de vistas, sobretudo, das novas possibilidades de trabalho, dos olhares para um nicho virtual que permita atividades inimagináveis no campo tecnológico, hoje se reinventando para fugir da crise que já se inicia, vejo um novo horizonte talvez mais difícil, mas possível para entendermos que não se trata apenas de um vírus, trata-se do desequilíbrio dos ciclos em todos os setores que compõem o planeta, trata-se da consciência do ser humano sobre as suas ações, sobre o meio e suas influências que alteram significadamente o desenvolvimento e a sobrevivência da vida.
Desse processo severo do lucro sobre lucro e do enriquecimento, esses três setores sempre estarão conectados, pois são parte do organismo Terra - vivo. Não há humanidade sem a natureza e não há economia sem a humanidade, e nessa perspectiva, a natureza é independente, ela reina.
Cabe a nós, seres pensantes privilegiados pela racionalização e pelo poder do livre arbítrio, repensarem sua evolução nesse mundo de desafios, em alternativas mais sustentáveis de equilíbrio, comunhão e prevenção/precaução sobre a nossa casa e sobre como sobreviveremos para seguir conquistando os nossos sonhos.
Referências de sites:





Comentários